Desconhecido
Quem és tu afinal? Assaltas-me os sonhos todas as noites, abres-me as janelas em noite de luar. De manhã acordas-me com um sussurrar bem junto ao meu ouvido, mas assim que abro os olhos e levanto a cabeça da almofada, não te vejo, não te sinto. Queria saber quem és, desconhecido. Mas tu não deixas, foges quando te procuro e voltas quando me sinto só. Confortas-me não sei como e limpas as minhas lágrimas com essa tua mão fria e transparente. Adormeço a desejar que sejas tu, mas... não deves ser. Muitas vezes os nossos olhos encontraram-se no meio da escuridão do meu quarto, mas no meio desse escuro todo os teus olhos conceguem mostrar-se ainda mais negros, tão mais negros que o carvão e as trevas. O teu colo não é quente como imagináva é frio como gelo e duro como uma pedra. És feito de sofrimento e não sei como alivias a minha dor, pelo menos assim tentas, pois sabes o que passo, pois passás-te também. Nunca me deste uma única palavra, mesmo depois de ta já ter pedido.Nunca me deste uma ipótese de te conhecer, e assim passo, os dias e as noites, a tentar conhecer cada gesto teu.
