Folhas vão parar ao chão. A fúria invade-me e gritos de frustração são soltados. Não consigo escrever o que sinto em relação a isto. Ao que me rodeia. A este mundo sem pés nem cabeça onde o que reina é a maldade e a pobreza. Sento-me no chão e olho em volta. Não, não é possível eu viver aqui. É que, é que eu nem sequer me identifico aqui, é que, eu não sou assim. Tô neste mundo á 13 anos e só agora é que vejo, só agora é que sinto que tudo é triste, é mau, é repugnante. Mulheres fazem abortos expontaneos, por livre vontade e eu, eu não entendo como é que é possivel matarem um feto que já havia de verdade. Homens batem nas mulheres por levarem vidas alcooalizadas e elas, ficam caladas, pedem ajuda com o olhar mas ninguém é capaz de as entender, ninguém percebe, todo o mundo apenas ignora. Eu não consigo perceber como é que existem pessoas que só pensam nelas e que se esquecem que existem outras que nem uma côdea de pão têm, que bebés são abandonados sem terem alguma vez recebido amor, e esses bebés que são abandonados, mais tarde vão seguir maus caminhos, vão ser revoltados e a culpa não vai ser deles. Como é que é possível pessoas ignorarem uma mão estendida de um mendigo, como é possível elas continuarem a andar como se nada tivessem visto. E se fossem um familiar ou amigo? De certesa que não ficariam indiferentes, então e o que muda? Não pensem só em vós, existe gente que precisa de ajuda, porque até quando parece que tudo está bem, existem pessoas a morrer. Há balas a voar pelo ar, e elas não param, nós vimos isso acontecer, mas esquecemos. Dizem-nos que está tudo bem e nós vamos na onda, como é que podemos dormir quando existe alguém que está em constante sufrimento? Como é que pode-mos queixar-nos dos nossos problemas? Eles são apenas problemas que passam com o tempo e que fazem parte da nossa vida, ao contrário das pessoas que vivem na rua e que para elas isto é rotina. Mas todos sabem disso, todos têm consiência disso, mas ignoram, mas eu não me vou calar, eu vou continuar, eu não vou ser como esses biliões que ignoram, eu vou ser a que quer ajudar, a que quer fazer a mudança. O estado ignora gastando o dinheiro em submarinos e essas porcarias que para nada servem, a ajuda demora, e o tempo passa e vida fica mais dura. Já ninguém se preocupa, ninguém escuta os gritos de uma criança que luta dia-a-dia para ter pão na mesa, que pede ajuda e que precisa de alguém com quem falar, eu lá estarei, para a ouvir, para a ajudar, mas como ela, existem milhões a precisarem de uma mão. Muitos falam e nada fazem, e isso não serve de nada. É muito bonitinho aparecer na TV mas ninguém pode acudir se não souber o porque. Pessoas sofrem por não terem o que comer, acordam e adormecem numa esquina qualquer. E é a vida. Mas que mundo é o meu, não é esta a mensagem que quero dar a filho meu. Quero causar a mudança e acreditar na diferença. Pois tou farta de ver culpados a serem libertados, farta de ver inocentes com vidas acabadas. Tou farta de ver idosos a morrerem e que só são encontrados dias depois, pais a matarem crianças por relações acabadas. E passar por uma rua e ver adolescentes a fumar por puro passatempo. Tou farta e não aguento mais isto.
