Estava sentada á beira da estrada, a pensar em ti, de novo. Como sempre.
- Olá.
Viro-me para trás, mas não era preciso o fazer para saber que eras tu. Infelismente ou felismente conheço muito bem a tua voz.
- Olá.
Sentas-te ao meu lado. Eu pergunto-me porque é que estás ali, como sabias que estáva ali ou porque é que vies-te ter comigo.
- Tudo bem?
" Óbvio que não estou bem"
- Sim.
- Não parece.
- Então porque perguntas? - digo bruscamente.
- Tas zangada?
- Sim.
- Comigo?
- Porque tás aqui?
- Não precisas de ser assim?
Levanto-me.
- Não preciso de ser assim? Tu também não precisavas de ter entrado na minha vida, também não precisavas de me ter conhecido, não precisavas de ter começado uma história comigo se no final, quer dizer, se ia haver final. Também não precisavas de me ter magoado tanto, não precisavas de destroçar tanto o meu coração. Eu não sei se tu sabes, mas eu nunca fui de relacionamentos sérios, asério, nunca os quis, nunca me quis entregar ao amor, porque, porque nem sequer acreditava nele, nem sabia o que ele era. Não sabia porque nunca o tinha vivido e todos aqueles amores que tinha ouvido falar não tinham sido amores, tinham sido paixões e paixões não são a mesma coisa que amores. Isso eu sei. Agora sei. Porque pela primeira vez eu apaixonei-me e só me pergunto. Porque? Porque se estava tão bem, tão feliz. Não tinha complicações, não tinha medos. Eu não sabia o que era sofrer por amor e infelizmente agora sei, e da pior maneira. Perdendo-te. Passo noites a chorar, a chorar por me ter entregado ao amor, a chorar por te ter perdido, a chorar pelo que vivemos, mas que já não vivemos. Chego a desejar que DESAPAREÇAS. Ou que seja eu a desaparecer. Chego a desejar nunca te ter conhecido ou pelo menos nunca ter deixado que tudo não passasse de uma simples amizade. Pois agora dói, dói saber que estás feliz, e que não é ao meu lado. Torna-se irónico o momento em que me perguntas se está tudo bem comigo. Apenas me apetece gritar-te COMO QUERES QUE EU ESTEJA BEM SE TU NÃO ESTÁS DO MEU LADO?? mas já me habituei a conter essa raiva, agora o "estou bem" já sai naturalmente, sem sequer precisar de pensar. Mas tu não percebes, ou não queres saber. És cego, és parvo, és estúpido, és... és... amo-te. Mas o que eu sinto por ti já não te importa, por isso... vai, desaparece, desaparece e esquece-me, finge que nunca me conheces-te, finge que nada aconteceu. E não me procures, não queiras saber nada de mim, simplesmente vai, vai e leva contigo tudo, todos os momentos, todas as palavras, gestos, beijos, TUDO!!! vai, GO AWAY.
Dizendo isto , viro-te as costas e afasto-me sem olhar para trás, mas parva como sou, arrependo-me de tudo o que disse. Arrependo-me e espero que tu não o faças. Mas outra parte de mim diz que fiz bem, que ao menos disse-te cara a cara e diretamente o que me vinha na mente e no coração, que ao menos ficas-te a saber como me sentia. A coisa que eu mais queria era voltar atrás e beijar-te, mas não o faço, sigo em frente com essa vontade e com aquela que sempre trouxe comigo, a de gritar ao mundo
AMO-TE
Mas não o fiz, porque se gritasse ao mundo o quanto te amo, acho que eu acabaria muda e o mundo surdo para o resto da vida.
