Tu foste e contigo levaste a alegria que havia em todo este mundo de fantasia. Mundo de sonhos, de desejos, de objetivos. Esse mundo era o nosso reino, mas agora que foste, já não sei se ainda posso considerar isto de um reino. Agora que foste, já não sei se ainda vale a pena esperar por ti, aqui. Aqui onde em tempos foi o nosso castelo, a nossa eternidade, o nosso esconderijo. Riamo-nos tanto, eramos tão completos e de um momento para o outro tudo desapareceu, tudo desabou. A cortina caiu e o espetáculo acabou, acabou sem palmas, acabou sem um final feliz, acabou com uma partida tua, acabou com um reino sem rei. A rainha chora, chora silenciosamente por detras daquelas enormes muralhas, chora escondida de todo o mundo. Ela que era o pilar de todo aquele castelo, que era o teu pilar, tornou-se fraca, um peso, assim pensa ela. Com vergonha esconde-se, não saindo agora da sua própria prisão, esborratando a maquilhagem que era tão cuidadosamente colocada todas as manhãs, esborratando o seu magnifico sorriso que em tempos era o motivo de seu rei. Os olhos brilham, brilham de tantas vezes serem lavados. A sua boca murchou, a sua voz melodiosa tornou-se rouca e já nem a música conseguem reanimar aquele corpo destroçado. Os seus paços dançantes tornaram-se pesados e mortos. O seu peito deixou de ter aquele coração desenfreado que nunca pára de bater e passou a ter um enorme vazio. Abraçasse, tentando em vão reencontrar o conforto que costumávas proporcionar, o calor que para ela era tão reconfortante e a segurança que lhe era tão necessária. Cada som, cada gesto, cada virar de uma esquina ela lembra-se de ti, lembra-se do que passáram, lembra-se do que sonharam. Ela nunca se esquece de ti. Ela nunca se esquece do teu nome. Ela nunca se esquece que és a pessoa mais importante para ela. Ela não se esquece.
