A primeira mensagem.
É deitada na cama que de repente tudo me vem á cabeça, que aquela metade que levaste contigo começa a doer, a suplicar pelo teu regresso. E a saudade recomeça com o seu desejo desenfreado de te ter de novo. Volta a lembrança de quando partis-te, de como eu todos os dias me sentia quando o dia acabava e tinhamos de regressar a casa. De como eu tinha de regressar sem ti. Eu sentia-me a menos, eu sentia-me diferente, meio completa, meio desencompleta. Mas eu sabia que assim que chegasse a casa estariamos nós os dois de novo juntos. Frente a frente no computador, tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Mas tudo mudou, tudo ficou diferente, esquisito, parece que enquanto eu tive contigo nas núvens que o mundo se desorientou, como se nós fossemos o seu pilar. E agora que regressámos eu não consigo fazer de policia sinaleiro sozinha. Ponho os fones nos ouvidos e começo a ouvir aquelas música que sempre me fizeram lembrar de 'nós' não de ti apenas mas sim de tu e eu. Aquele lugar vazio que deixas-te de novo começa a ser preenchido, mas preenchido pelos teus abraços, pelos telefonemas, pelas mensagens, pelas palavras segredadas, pelos beijos recheados do teu doce sabor a cerveja (sorrio) e muitas outras coisas que sabes bem de quais são, espero. Hoje uma amiga minha perguntou-me o que é que ele é para ti? impressionou-me o facto de ela saber que ainda és, e não que eras. Aquilo que eu andava á procura - foi a minha resposta. Eu sei que ela não sabe o que estou a passar, também não faço questão de lho contar, de lhe dizer que o facto de me dizer que tás a olhar para mim me incomoda, ou talvez não, talvez apenas não lhe diga nada porque quero saber quando me olhas, quando sentes a minha falta. Tens de esquece-lo. Diz ela quando de novo olho para ti. Eu sei. E o desencontro de olhares dá-se quando desvio o meu. Eu sei que os teus olhos ainda brilham para mim, eu sei, eu reparo, sei que eles aindam guardam segredos, sei que são eles que logo de manhã me dizem qual a tua disposição. Eu simplesmente sei, eu simplesmente sinto, eu simplesmente amo. E é assim, que todos os dias prometo a cada dia, que ele será diferente, que tudo mudará, mas que essa promessa não é cumprida, pois tenho medo de mudar, tenho medo de ti, tenho medo. De te esquecer.
