Sem máscara
CHEGA... - disses-te ao mesmo tempo que arrancavas essa máscara de falsidade.
O tempo pára, como se alguém tivesse carregado no pause e não deixasse a tua vida continuar. Á frente das camâras só mostravas sorrisos que não eram teus, sorrisos forçados, sem alegria, sem vida, mas sorrisos aos quais todos acreditavam. No meio da noite, no meio de cadeeiros de rua, no meio da escuridão, encontras-te tu, agora, escondida por um capuz da tua camisola que tal como tu é escura, vazia. Passas por pessoas que não te reconhecem. Que não sabem quem és. Mesmo aparecendo tu todos os dias nos ecrãs das suas televisões.
Olhas-te ao espelho e tentas reencontrar-te. Tentas chegar ao teu verdadeiro "eu" mas não dá, não consegues. Sorris numa tentativa vã de ficar feliz, mas o espelho não te retribui esse sorriso. Desistes como se não se tratasse da tua vida, mas sim de algo que necessitasses de uma prateleira alta á qual não chegas e descobres que afinal é muito mais fácil ir ao supermercado e comprar outra igual, mas pensa, não te esqueças, a vida é só tua, não tem substituição, não dá para comprares outra ou a mandares arranjar, simplesmente não dá. Deitas-te na banheira, choras e abres o chuveiro. Água gelada invade o teu corpo, corpo que ainda está vestido com as calças do trabalho e a camisola do capuz. As lágrimas não param, não cessam e a tua frustração também não. Perguntas-te vezes sem conta se não te cansas de ser falsa, de ser fingida, de ser o que os outros querem que sejas e querem ver. Perguntas-te senão seria mais fácil seres simplesmente tu, mesmo sendo um tu triste, destroçado e sem forças para seguir em frente. Perguntas-te mas nunca consegues responder. Sou tão estúpida, tão parva, tão fraca. NÃO, NÃO ÉS. Que confusão, tu dizes que és, mas algo e não sabes bem o que, diz que não. E tu bem lá no fundo sabes que é verdade, sabes que és capaz de superar tudo isto, sabes que consegues ganhar forças e destruir tudo e todos, mas a verdade é que tu não queres. Axas ser bem mais fácil desistir. Desistir...humm...aquilo que tão bem me ensinas-te a fazer.
