Alguém bate a porta.
- Sim?!
- O jantar está pronto, estamos a tua espera.
Era o meu irmão.
- Sim, já vou, é sou acabar de me pentear.
- Despacha-te.
- Tá calado e vai-te embora que eu já desço.
Ouvi-o afastar-se, mas não o ouvi sair.
- Bruno!!! Que andas a fazer??
Não obtive resposta. (Eu passo-me completamente quando aquele puto entra no meu quarto, é que ele mexe em tudo) Já sabendo que ele tava a preparar alguma, lancei a escova com toda a força contra a bacia, fazendo demasiado barulho e enfurecida sai da casa de banho pronta a esgana-lo. Só tive tempo de o ver a esgueirar-se pela porta do quarto e de o ouvir a rir.
- Bruno!!!
Começei a correr como uma doida, pronta a mata-lo se fosse preciso. Da ultima vez que ele veio ao meu quarto foi para me tirar um sutian e com ele tirar uma foto para por no facebook (o que equivalia a pedir a um amigo) e por na identificação a dizer que aquele era um dos muitos sutians que tinha, mas lá consegui fazer com que ele não o fizesse, ameaçando apagar o seu joguinho de carros do cartão de memória. E ele sabe que eu disso tinha e muita coragem. Ouvi a porta do quarto dele fechar com estrondo e fui a correr lá ter, assim que cheguei bati a porta com os dois punhos bem cerrados e com os nós dos dedos já brancos.
- BRUNO ABRE-ME ESTA PORTA!!! E JÁAAA SENÃO AINDA ME PASSO MAIS DO QUE AQUILO QUE JÁ ESTOU!! ABRE-ME A PORTA!!
- Não! Ah é verdade, tens uma cuecas muito bonitas.
Fiquei estarrecida, aquilo não me podia estar a acontecer.
- OLHA O TEU JOGO!!
- Não te preocupes, tenho aqui o cartão de memória e o jogo.
Meu Deus, não tinha como o evitar.
- BRUNO, ABRE-ME ESTA PORTA IMEDIATAMENTE!! SENÃO EU ...
- Senão tu o que?
- SENÃO EU ...
-Mas o que vem a ser esta gritaria, está tudo doido ou que?
Era o meu pai. Vinha ai. Uffa! Estava safa!
- Pai, ajuda-me por favor, eu não aguento mais este miudo...
- EU NÃO SOU NENHUMM MIUDO!!
- És pois, e daqueles que devem ser gays, para me tares sempre a roubar as coisas, pricipalmente a minha roupa interior!!
- Ele tirou-te, outra vez a rou.. - o meu pai nem conseguiu acabar a frase, desatou-se a rir.
- Não tem piada - disse com uma cara séria
- Pois não, tens razão - disse recompondo-se - Vamos lá resolver isto - soltou uns risinhos.
- Pai!! Não tem graça.
- Desculpa, Bruno abre a porta.
- Não!! Ela vai-me bater.
- Não vai.
- Vai pois.
- Então deixa-me entrar.
- Só tu.
- Sim, só eu. Madalena tu ficas aqui, eu vou buscar a tua .... bem, tu sabes.
Desatei-me a rir, o meu para nos embaraçar aos dois era um pró.
A porta abriu-se devagarinho, e uma cabeça espreitou cá para fora.
- Pai, só tu.
- Sim Bruno, só eu.
Então devagarinho Bruno abriu a porta e assim que o pai entrou fechou-a rapidamente e com brusquidão. Passei 5 minutos (estão a ver 5 minutos com umas cuecas vossas no quarto do vosso irmão isso é, meu Deus, uma eternidade e tortura) durante esse tempo pensei em mil e uma maneiras de lhe estragar a porcaria do jogo de carros só para aprender uma boa lição). De repente a porta abre-se e sai de lá o meu pai, na mão direita dele estão as minhas cuecas. Ok OMG isto é ... tão embaraçoso, que horror. Senti-me corar por completo. E devia tar mesmo a corar e com uma cara de ... nem quero pensar pois, lá dentro, Bruno obsevava-me rindo.
- Desculpa Madalena, a culpa foi minha, não deveria ter pedido ao teu irmão para te ir chamar, desculpa. - disse com um sorriso de troça na cara.
- Pois, pois tá bem, agora tu meu menino, vem cá, vais levar uma surra.
- Tás a ver pai, eu não disse?
- Tu não disseste o que? Seu monte de ...
- Madalena!!
- Sim? - Disse eu fora de mim.
Ele olhou-me de forma severa.
- Desculpa, mas é que ele põe-me fora de mim e eu ... só me apetece esganá- lo.
- Vai para o teu quarto e acaba de te pentear, e depois podes vir ter connosco jantar.
- Pai, ainda vou ter de jantar com ela? Ela vai-me matar.
- Preferes o que?
- Comer no meu quarto.
- Madalena, importas-te de jantar no teu quarto hoje.
- Não - disse eu de orelha a orelha.
- Mas pai ...
- Já não tens desculpas para não jantar.
- Não posso ser eu a jantar no quarto?
- Para sujares tudo?
- Não.
- Vá, vamos jantar e tu vai para o teu quarto.
Agarrei nas cuecas o mais rápido possivel, lancei um sorriso de agradecimento a Bruno por me ter dado a oportunidade de jantar no quarto e fui directa ao mesmo.
Entrei, e fechei a porta á chave (aquele miudo era mesmo irritante, e o pior é que fez tudo isto só para poder jantar no quarto, mas paciencia, quem acabou por ficar com o prémio fui eu).
Dirigi-me até á casa de banho e continuei a pentear-me. Com toda aquela confusão, gritaria e correria o meu cabelo ficou numa enorme confusão, parecia uma autêntica bruxa. Passei os 10 minutos seguintes a desembaraçar o cabelo (Meu Deus, aquilo estava, que nem se podia) a seguir fui até a secretária e levei o PC comigo para a cama. Abri no blog e fui ver se Joana tinha avançado na sua história sobre o bailado mas como não tinha decidi apenas ir para o Facebook, falar com ela. Já que por hoje não tinha cabeça para mais nada. Joana estava online, finalmente ia ter os meu minutos de paraiso, pois quando se fala com a Joana parece que as coisas más que acontecem são apenas coisas sem importância.