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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Passei a noite toda acordada. Não dormi NADA. Nem mesmo uns minutos. Por mais que quisesse o sono não vinha e isso já me irritava. Ainda por cima, logo no dia em que uma pessoa pode dormir mais 1 hora visto que a hora muda e o relógio atrasasse. Chegadas as 6h desisti de tentar dormir. Levantei-me, fui á sala, escolhi um filme e fiz pipocas. O filme acabou ás 8 e tal, fui tomar banho e apeteceu-me ir á praia. Mesmo em pleno Outubro, com um frio de rachar. Qualquer pessoa me acharia doida, mas mesmo assim fui.
Sentei-me na areia a observar os surfistas e o mar que se mostrava bem revoltado. Sentia a brisa, os salpicos, o cheiro a mar. Pus-me a cantar baixinho, só para mim. Ao mesmo tempo, relembrava momentos vividos ali, naquela praia. Todos os escaldões, as tardes de risadas, as gargalhadas e as palhaçadas. Beber até mais não. As noites, fazer fogueira, ouvir o som da guitarra, pôrmo-nos a cantar e a dançar. Dormir sobre o manto de estrelas.
Um rapaz veio sentar-se a meu lado, percebi que era um surfista e que tinha acabado de sair do mar. Ficou a meu lado por um longo momento, sem nada dizer, sem nada fazer. Até que:
- Está bom o tempo.
Era pa me rir, mas não o fiz. O frio foi mais forte que eu. Apenas sorri. E encolhi-me com nova brisa de ar frio e salgado. Olhei para ele. O rapaz era giro tinha de admitir, olhos meio verdes meio castanhos, não percebi bem, o cabelo estava em desalinho e molhado, era moreno e bem constituido.
- Depende, ta bom tempo para fazer surf ou estar fechado em casa a dormir?
- Ahahah, bem, a esta hora está toda a gente a dormir - o riso dele era... suave e dava um certo conforto, um certo calor na barriga.
- Pois, mas eu não sou toda a gente.
- Pois não, não és.
E não disse mais nada. Fiquei a pensar se a minha resposta tinha sido dura ou o tom. Por isso resolvi meter conversa.
- Fazes surf?
Ele olhou para mim e sorriu.
- Sim e tu?
- Humm, nem por isso - comecei-me a rir e ele alargou o sorriso.
- Que foi?
- Ahahah tou-me a imaginar em cima de uma prancha.
Desta vez ele riu-se comigo.
- Falta de coordenação.
- E muito dada a quedas também.
A conversa prolongou-se falando de surf, a minha experiência e a dele. Até que ele, o Pedro assim se chama me surpriende.
- Queres aprender?
Era uma coisa que várias vezes me passara pela cabeça. Eu e o mar. O mar e eu. Sempre tiveramos um certo laço, mas o medo, esse falava sempre mais alto.
- Ahh, ahh, não sei.
- Tens medo?
- Sim - e baixei a cabeça. Uma das coisas que me faziam baixar a cabeça era confessar uma das minhas fraquezas, e neste momento tinha contado uma a um rapaz que conhecera á poucos minutos.
Ele riu-se e levantou-se estendendo-me a mão.
- Vem.
- Onde? - perguntei um pouco na defensiva. Pois eu não o conhecia, mas algo cá dentro dizia-me para confiar nele, para deixar que me levasse. 
- Vou ensinar-te a surfar.
Fiquei sem pinga de sangue, tinha acabado de dizer que tinha medo e ele já me queria por em cima de uma prancha.
- Mas ...
- Tem calma - interronpeu-me ele percebendo o que estáva a pensar - eu quando comecei também tinha um pouco de receio. Mas depois fui começando a ganhar pica e quando dei por mim já estáva na água com prancha a surfar.
- Humm ...
- Começamos pela areia, apenas para aprenderes os movimentos, e...
- Pode ser. - levantei-me de um salto. O que o meu corpo queria era adrenalina, e era isso que lhe ia dar.
Ele sorriu e fomos os dois até uma barraca, lá estavam vários outros rapazes, uns pareciam mais velhos outros mais novos, mas todos tinham a mesma idade. 16 anos e eram colegas de escola, outros até mesmo de turma. Simpatizei-me logo com eles. Embora seja muito tímida consigo fazer amigos facilmente.
Comecei as "aulas" logo nessa manhã. Enquanto eles tinham ido sufar eu e o Pedro ficámos em terra. Aquilo foi só rir. Era eu a esbracejar, a escorregar da prancha e a comer muitaa areia. Todos nos ria-mos com as minhas figuras. Foi uma manhã mesmo boa. Uma experiência inesquéciel. Conhecer pessoas, divertir-nos com elas e no final já nos conciderar-nos todos amigos.
Mas chegou as 2h da tarde e tive de voltar a casa. Ficámos todos um pouco tristes, pois távamos a adorar a companhia uns dos outros.