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sábado, 19 de novembro de 2011

Pensava que não me eras nada. “Uma merda distração” era isto que eu achava de ti. Até ao dia, até ao dia em que me disses-te “olá”, desde aí nada foi a mesma coisa. Nada foi igual. Nada foi normal. Parecia obcecada. Tu não me saias da cabeça. Eras a minha droga que já há muito ansiava. Mas essa droga escapava-me das mãos, todos os dias, todas as manhãs a toda a hora. Não era capaz de me apresentar, de te retribuir o olhar. Não era capaz. Parecia que as palavras ficávam.me presas na garganta, e que os meus olhos insistiam em não olhar para ti. Das únicas vezes que olhei, foram pelo canto do olho, e todas essas vezes eu baixava o olhar e começava a corar. Tu olhá-vas para mim mais uma vez. E mais uma vez era fraca. Como sempre fora. Ouvi rumores de que gostavas de mim, mas eu não acreditei. E com isto tudo. Com o tempo a passar. Tu continuavas a passar por mim, a dizer-me “olá” mesmo sabendo que esse “olá” não iria ser retribuído, continuavas-me a olhar com esses olhos doces, meigos e ternos. Olhos esses em que gostava de me perder um dia. Nego todos os dias o que mais anseio de dizer ao mundo – que te amo – mas não posso, não dá. Não posso deixar que este sentimento cresça, não posso. Eu sei que tudo isto vai passar, que eu vou acalmar e o desejo de te ter, desaparecer. Eu sei...
                                                          Mas...
Hoje de manhã, mais um “olá” eu, nada disse. Apenas continuei em frente e fui para a sala da aula, fui sentar-me e abri a mochila. Não sei como foi ali parar, mas estava um envelope azul no meio dos meus cadernos, olhei á volta toda a gente falava, enquanto o professor não chegava. Mas tu, tu távas á porta a olhar para mim. Os meus olhos encontraram os teus e fiquei por momentos sem saber o que fazer. Baixei o olhar e abri o envelope. Lá dentro estava uma carta. Com o teu perfume, e o papel era da minha cor favorita.

No meio da multidão que me olha,, tu és a única que me ignora,, és a única que me importa.

Li aquela frase mais duas vezes sem querer acreditar no que lia. Mas sim, estava a ler bem. Era o que estava ali escrito. Voltei a olhar para a porta, mas tu, já lá ias longe a caminho da tua sala. E foi aí, que pela primeira vez, no meio daquela sala barulhenta, que eu disse:
- Olá.