O teu abraço
Abraçaste-me inesperadamente. Sem sinal ou aviso. Abraçaste-me com força. Abrasçaste-me de uma maneira só tua. E foi um abraço tão bom. Um abraço que já não sentia á uma eternidade. Um abraço que só tu me davas. Um abraço que, sempre que relembro é com muita saudade. Já ansiava por ele á muito tempo. Pode ser um gesto simples, como qualquer pessoa podia achar, mas só tu e eu é que sabemos o segredo, o sentido dele. Só nós é que sabemos o quanto é seguro para nós estármos assim, só nós sabemos o conforto que ele nos proporciona. Só nós, mais ninguém. Este gesto já foi repetido várias vezes, em vários sitios, de várias épocas. Já foi na praia, na tua casa, na minha, na rua, num centro comercial, num café. No ano novo, no meu aniversário, no teu, no Natal, na tristeza, na alegria, na saúde e na doença,em tudo, se reparares bem. Foste tu, sempre tu, que estiveste do meu lado, que me deste os conselhos, que me pôs as bebedeiras, que me tirou vários pesos de cima, que me beijou, abraçou, confortou, que me fez tanta coisa. Tu és o melhor, o pior, o intermédio. Tu és o tudo e o nada. O sempre e o nunca. O sim e o não. O paraíso e o inferno. És irmão, primo, pai, avô. És o abraço, o beijo, o conforto. Resumindo e concluindo, és-me tudo.
