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terça-feira, 27 de março de 2012


Peguei numa blusa branca, numas calças, e na mochila e fui a correr porta fora. Chamei o taxi quase aos berros, o qual tive de esperar dois minutos. Não, não te iria perder por nada deste mundo. Eu ainda te amava e não podia deixar de to dizer. Muito apressada e a gritar dizia ao condutor para ele ir o mais depressa possível até ao aeroporto. A viagem foi uma tortura. Passei-a toda a olhar para o relógio e a ouvir os queixumes de um velho condutor farto da sua rotina diária. Assim que chegámos, mal tinha o táxi parado completamente e eu já tinha largado uma nota de dez euros em cima do banco e a correr em direção ás portas giratórias. Atrás de mim ouvia o condutor a gritar que faltava o troco, e á minha frente via a oportunidade de começar de novo. Entrei. Uma multidão caminhava a minha frente, cruzando-se entre si apressadamente e estraordináriamente parecia que nem se tocavam. Crianças choravam, outras riam e eu lembrei-me dos meus tempos de infância em que vinha precisamente a este aeroporto buscar o meu pai que de três em três meses chegava sempre de um país diferente. Subi a correr as escadas rolantes e fui ver no grande ecrã preto quais os aviões que já tinham partido. Faltavam cinco minutos para o teu partir, o que significava que apenas tinha esse tempo para te encontrar. De imediato olhei para todos os lados, pus-me em cima de bancos, gritei o teu nome e de repente. O avião partiu. Eu vi. Era o teu. Por detrás daquela enorme janela de vidros duplos o teu avião começava a levantar voo. Perdi as forças, perdi a fala, a visão, perdi tudo. Caí no chão como se acabasse de ser derrotada por algo invisível, e comecei a chorar como uma criança. Chorei e gritei, gritei pelo teu nome, gritei a dizer que te amava e... uma mão estendia até mim uma rosa branca. Limpei as lágrimas e peguei nela. Não podia ser. Olhei para cima e ali estavas tu. 
- Também te amo. 
Levantei-me e beijei-te ao mesmo tempo que te dizia repetidamente que te amava, pegaste-me ao colo e abraçaste-me fortemente. 
- Eu... eu pensei que tivesses ido. 
- E ia. 
- Então e...e porque não foste. O teu sonho estava naquele avião. 
Ele olho-me nos olhos e disse.
- Mas o meu coração estava em terra.