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sábado, 14 de abril de 2012


Estou de novo sentada neste muro, espero que tu apareças, espero por ver o teu primeiro sorriso do dia, a tua primeira risada. Desta vez, por entre os meus dedos não está o habitual cigarro, no lugar dele está um gelado. Baunilha e Chocolate. Será que é o teu preferido? Desde que te vi pela primeira vez que não sou capaz de pensar que és uma pessoa exatamente igual ás outras, que não passas de um desconhecido. 
- Olá. 
Dou um salto assustada. 
- Calma, não te queria assustar. 
Olho na direção da voz. Não. Não podia ser. Eras tu. Com o teu brinco preto na orelha esquerda e esses caracóis que sempre me encantaram. Os teus olhos têm um brilho perfeito, mais perfeito do que eu pudera imaginar. 
- Não faz mal - balbuceio no meio dos meus pensamentos. 
Um sorriso aparece nessa boca perfeita. É lindo, como tudo em ti. Parecias divertido por me teres assustado. 
- Posso sentar-me? 
- Humm, o muro não é meu. 
- Pensei que fosse, estás sempre aqui. 
Olho para ele com uma certa vergonha e culpa a trespassar-me. Depois quase que por instinto levanto-me, pronta a fugir, mas a mão dele é mais rápida. Agarra-me o braço.
- Não vás. Desculpa se te incomodei, eu posso ir embora - disse passando a mão livre pelo seu cabelo dourado. Decididamente, não estava á espera daquela minha reação. 
- Não - disse demasiado depressa, um sorriso no canto da boca começava a reaparecer-lhe - quer dizer, ah, podes ficar, eu ... eu...
- Posso pedir a tua companhia? 
Aquela pergunta apanhou-me completamente desprevenida. 
- Nem que seja para acabares o teu gelado. 
Olho para o gelado que ainda tinha na mão. Estava a derreter-se. 
- Ok - acabo por responder olhando-o de relance. 
Ele larga-me o braço e eu volto a sentar-me, ele faz o mesmo.
- Sou o João - diz olhando para mim e a sorrir-me. 
- Carolina - respondo olhando em frente. Dou uma dentada no meu gelado, arrependo-me profundamente, pois uma dor aguda trespassa os meus dentes e arrepio-me ficando de imediato com pele de galinha. 
- Não ademira que estejas com frio, estás de t-shirt, a comer um gelado e não tarda também chove. 
- Estou habituada. 
- A passar frio? 
- Não, a vestir uma t-shirt e a comer gelado quando está quase a chover. 
Mais um sorriso da parte dele, e eu não pude evitar, também sorri. 
- Tens um sorriso lindo. 
« Nada comparado com o teu » foi o que me apeteceu responder, mas a vergonha impediu, por isso apenas disse: 
- Obrigada. Queres? - estendo-lhe o gelado. 
- Pode ser - diz agarrando-o - mas se ficar constipado a culpa é tua. 
- Come, depois preocupa-te com a consequência. 
- É assim que pensas? 
- Não, mas é assim que faço. 
Ele abana a cabeça animado. 
- E quando a consequência chega? 
- Penso na próxima asneira. 
- Ahahah - ele solta uma grande gargalhada.  

Tic tic. Tic tic. 
Merda, era a porcaria do despertador. Acabara de me acordar no exato momento em que não queria o fazer.